quarta-feira, 18 de novembro de 2009
Dia da Consciência Negra
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
A Influência das Línguas Africanas no Português falado no Brasil
Quando falamos de cultura brasileira, temos que buscar entendê-la a partir das matrizes que a constituem: a européia, a africana e a indígena. Nosso foco é buscar entender a influência africana em nossa cultura, uma vez que já existem numerosos estudos sobre as outras matrizes.
Quando falamos de continente africano, temos que ter em mente que não se trata de um único povo ou de uma única cultura. Quando falamos de África, estamos nos referindo a uma grande diversidade de culturas e povos que influenciaram os costumes, as crenças, os valores, a culinária, a música, a língua e outros aspectos culturais de nós brasileiros.
São mais de cinco milhões de pessoas oriundas da África que vieram para o Brasil entre os séculos XI e XIX. Muitos da região banto, que agrupa uma quantidade de mais de 300 línguas semelhantes. Outros da região sudanesa onde há uma enorme variedade lingüística, porém vamos destacar dois principais grupos de falantes das línguas chamadas de iorubá e ewe-fon.
A proximidade entre a estrutura lingüística do português europeu antigo e regional e as línguas africanas facilitou a mestiçagem lingüística e deram nova sonoridade à língua portuguesa falada no Brasil. Atualmente ainda encontramos inúmeros dialetos de origem banto falados na zona rural de vários locais do país, principalmente nas áreas onde vivem remanescentes de antigos quilombos.
Muitas palavras faladas no nosso cotidiano são derivados portugueses a partir de uma mesma raiz banto como por exemplo esmolando, dengoso, sambista, xingamento, caçulinha, entre outras. Temos casos da própria palavra banto substituir o equivalente em português: xingar/ insultar, caçula/benjamim, dendê/óleo-de-palma, bunda/nádegas, marimbondo/vespa, cachaça/água-ardente, cochilar/dormitar, molambo/trapo, etc.
As línguas de origem iorubá e ewe-fon estão ainda vivas nos espaços religiosos de matriz africana, principalmente no Candomblé. Apesar de uma enorme perseguição das lideranças afro-religiosas no decorrer dos séculos, estas línguas são ainda faladas e funcionam como veículo de integração e ascensão na hierarquia sócio-religiosa. Conhecida como língua-de-santo, a sua influência e divulgação acontecem principalmente através da música popular brasileira.
PESSOA DE CASTRO, Yeda. No canto do acalanto. Salvador: Centro de Estudos Afro-Orientais,
1990. (Série Ensaio/Pesquisa, 12)
______. Falares africanos na Bahia: um vocabulário afro-brasileiro. Rio de Janeiro: Academia
Brasileira de Letras; Topbooks Editora. 2001.
______.Os falares africanos na interação social do Brasil Colônia. Salvador: Centro de Estudos
Baianos/UFBA, 1980. n.89.
______. A língua mina-jeje no Brasil: um falar africano em Ouro Preto do século XVIII. Belo Horizonte:
Fundação João Pinheiro, 2002. (Coleção Mineiriana).
segunda-feira, 20 de julho de 2009
Candomblé e Resistência
terça-feira, 28 de abril de 2009
Comida para os orixás
segunda-feira, 30 de março de 2009
A Religiosidade Afro-brasileira
Entre os africanos, o sobrenatural tem uma grande importância. Todas as decisões da vida são tomadas depois que os ancestrais são consultados através de rituais. Quando eles foram trazidos à força ao Brasil, trouxeram esta tradição. Alguns grupos mantiveram-se mais fechados e preservaram com maior rigor os aspectos culturais africanos. Outros reconstruíram sua cultura com a influência de elementos indígenas e portugueses.
Os primeiros estudiosos sobre as religiões afro-brasileiras, influenciados pelo pensamento evolucionista do século XIX, hierarquizavam as religiões, tomando o Cristianismo como modelo "superior" de religião e as que usavam o transe, sacrifício animal e culto aos espíritos, chamavam-nas de "atrasadas" ou "primitivas". Longe de querer cometer este equívoco, nosso objetivo neste texto é de buscar semelhanças entre as manifestações religiosas de matriz africana, sem ter a pretensão de esgotar o assunto e muito menos de querer atribuir uma certa "superioridade" a qualquer uma das religiões por considerarmos a importância que cada uma tem no mosaico da diversidade humana.
Entre os povos sudaneses estão os Iorubás (ou Nagôs) e os Jeje (ou fon), oriundos principalmente da Nigéria e Benin (ex-Daomé). Entre os bantos encontramos os angolanos. Calcula-se que dos bantos tenha vindo um maior número de escravos, exercendo uma grande influência na cultura brasileira. Destacamos estes três povos por serem os principais na formação da cultura religiosa de matriz africana no Brasil, apesar de existir a presença de outros importantes grupos africanos na formação de nossa cultura, como os hauaçás, povo islamizado do Sudão central que os portugueses chamavam de malês.
Oralidade: As religiões afro não se baseiam em livros sagrados como a Bíblia ou a Torá ou o Alcorão. A transmissão do conhecimento religioso africano baseia-se na oralidade. Todos os ensinamentos secretos são passados aos iniciados oral e gradualmente ao longo do tempo. A cosmovisão, a mitologia, as tradições, os rituais litúrgicos, a linguagem são ensinados conforme a participação do iniciado nos cultos. A memória individual e coletiva é preservada até hoje.
A manifestação de entidades e/ou espíritos de antepassados é outro ponto comum nas religiões de matriz africana. Através da dança e do ritmo dos tambores, o iniciado entra em transe e as entidades do além se manifestam. Os povos de origem Iorubá deram a estas entidades o nome de Orixás, que no Jeje correspondem aos voduns e nos terreiros de tradição angola são conhecidos como inquices. Estes deuses africanos personificam as forças da natureza. Das centenas de divindades existentes na África, apenas um número bem reduzido é cultuado no Brasil. Alguns orixás são bastantes conhecidos na sociedade brasileira por serem citados na música popular, na literatura ou por fazerem parte de rituais que se naturalizaram socialmente, como o de oferecer presentes no Ano Novo para Iemanjá.
quinta-feira, 19 de março de 2009
A Resistência Indígena e Africana
Herdamos em nossa cultura o preconceito racial, fruto da colonização portuguesa que inferiorizava os povos não-cristãos para dominá-los com mais facilidade. Para escravizar índios e negros, os portugueses logo trataram de impor sua própria cultura e destruir os bens culturais dos dominados.
Muitos índios foram catequizados pelos portugueses e logo escravizados. Os indígenas viam em peças de teatro escritas pelos Jesuítas, personagens diabólicos com os nomes dos deuses cultuados pelos índios.
Quando os africanos foram trazidos à força para o Brasil, suas divindades conhecidas como orixás, inquices ou voduns, eram consideradas como demônios pelos colonizadores.
Desmantelar o patrimônio cultural é o primeiro passo para tornar os escravos mais dóceis e menos resistentes a dominação. Muitos índios, conhecedores das matas desta terra, conseguiram fugir das mãos severas do trabalho escravo. Os africanos encontraram em sua cultura, principalmente em sua religião, forças para resistir e lutar contra a escravidão.
A Cultura Afro-brasileira
O continente africano sempre foi povoado por uma enorme variedade de povos, que falam línguas diferentes, organizam a sociedade de maneiras diversas e têm religiões, atividades econômicas e habilidades diferentes. O sobrenatural, a magia, ao qual o homem só tem acesso por meio de rituais e cerimônias, desempenham um papel fundamental na cosmovisão africana e influencia de maneira direta as decisões sociais.
Para entendermos um pouco melhor, vamos abordar alguns aspectos desta cultura que herdamos e que passou muitos anos despercebida dos nossos livros didáticos. A cada semana vamos postar um elemento cultural de forma sintetizada